
Bem vindos ao Nem Todo Carnaval Tem Seu Fim, um espaço criado para divulgar e refletir sobre a Nova Música Brasileira. O título, como muitos devem ter percebido, é feito em referência a primeira faixa do disco nacional mais icônico dos anos 2000, "Bloco Do Eu Sozinho" dos Los Hermanos.
Não é tão fácil explicar o porquê, mas 2009 se encaminha para ser um ano-chave para música brasileira. Em nenhum outro momento nos últimos 10 ou 15 pode-se ver uma safra de artistas e lançamentos tão grande, tão boa e tão diversa, e, mesmo que estes não ocupem (ainda) um lugar nos ouvidos da massa, eles estão a ocupar outros espaços, menores, mas seletos, característica essa que é ditada pelo tempo em que vivemos.
Muita coisa mudou de 1999 de para cá. Aquele foi um ano bastante interessante, se formos analisar. No Brasil, a geração de artistas surgidos no começo dos anos 90 (Marisa Monte, Lenine, Pato Fu, Zeca Baleiro, Mundo Livre s/a, Cássia Eller etc) atingia a maturidade artística, enquanto velhos conhecidos como Caetano Veloso, Titãs e Capital Inicial experimentavam o doce sabor das altas vendagens. Ao mesmo tempo, chegava às prateleiras "Los Hermanos", o primeiro e homônimo álbum da banda que melhor simbolizou o que viria a seguir na música brasileira.
Daí tudo começou a ruir. Há os mesmos 10 anos surgia o Napster, que descortinou um mundo possibilidades e problemas ao permitir o compartilhamento música de graça com facilidade através da rede, dando início a ainda presente crise da indústria fonográfica. Em terra brasilis, a novidade demorou alguns (poucos) anos a chegar, devido às precárias condições da internet do país naquela época, mas quando chegou fez um grande estrago. Isso se deu principalmente por que a popularização troca de arquivos online aconteceu ao mesmo em que a pirataria física de CDs (e posteriormente, DVDs) tomava as ruas e as casas num vulto que impressiona até hoje.
O resultado disso foi o atual caos da mercado de música no Brasil, a fissura entre o que era mainstream e o que era independente, e algo como uma "crise estética" na música. Não foi fácil. Diversos artistas foram cortados dos casts, gravadoras de porte como a Abril Music e outros selos fecharam, as majors passaram a investir muito menos e com muito mais cuidado em novos, o mesmo tempo em os preços por CD ultrapassavam os 40 reais.
A tal fissura do mercado já era uma realidade nos anos 90, mas ficou mais séria no começo dessa década, quando o mainstream encolheu e o mercado independente começou a crescer, mas não necessariamente em direção ao consumo de massa. No meio disso, uma banda marcada pelo maior sucesso da virada da década, "Ana Júlia", lançava à duras penas um disco incômodo, difícil e, acima de tudo, genial. É inegável hoje a importância de "Bloco Do Eu Sozinho", dos Los Hermanos, para os dois lados da indústria fonográfica. Lançado por uma majors, o álbum representou uma outra possibilidade de mercado no momento em que o quarteto carioca escolheu caminhos bem mais difíceis que o do sucesso fácil, que provavelmente viria se eles tentassem repetir "Ana Júlia". Responderam a pergunta que ninguém quis responder: em tempos de crise, é melhor queimar todo cartucho de uma vez ou bater o pé, perder no primeiro momento, para então voltar sólidos no momento seguinte? O sucesso de "O Vencedor", música do terceiro disco da banda, dois anos depois só deixa mais clara a acertada decisão que o "Bloco" representa.
Para os independentes, a atitude dos Los Hermanos serviu como um norte, quase uma garantia que ainda era possível sim fazer e viver de música estéticamente estimulante no deus-dará que se transformou o mercado fonográfico pós-MP3. Pensando assim, as cenas, principalmente as mais distantes do eixo, começaram a se organizar de forma mais racional e com isso conseguiram sobreviver e, na medida do possível, prosperar. O cenário da música independente ganhou espaço a mídia, uma ainda pequeno, mas fiel público, associação (ABRAFIN) e até edital de empresa pública. Mesmo que ainda esteja bem longe da estrutura existente em países como Estados Unidos e Inglaterra, as movimentações indies no Brasil hoje representa uma peça que não pode ser mais ignorada pelo mercado, e 2009 está aí para provar.
Não é necessário relembrar cada capítulo dessa história para chegar a conclusão que em 2009 estamos começando um novo momento na música brasileira. À medida que o modelo de negócio da música inicia um processo (doloroso e que ainda leva tempo) de reestruturação, é hora de se pensar um caminho uno para música brasileira, hora em que não importa mais em que "lado" você está, mais sim se você está produzindo boa música e que esta esteja chegando nos ouvidos de quem precisa dela.
É com essa idéia que começa o Nem Todo Carnaval Tem Seu Fim. Nesse primeiro post colocamos os pontos para reflexão, que iremos detalhar à medida que forem surgindo novidades e necessidades. Por enquanto, deixo você leitor com uma lista de quase cem títulos de tudo que já foi lançado em 2009 na música brasileira (a maioria, grandes obras) e de alguns que temos muita confiança. É um mapa para nos guiar. Partimos daqui.
Lançados
- AMP
"Pharmako Dinamica" [Compre]
- Babe, Terror
"Weekend" [MP3]
- Bang Bang Babies
"Love And Bullets" [Compre]
- Black Drawing Chalks
"Life Is A Big Holiday For Us" [Compre]
- Bruno Morais
"A Vontade Superstar" [Compre]
- Cachorro Grande
"Cinema" [Streaming]
- Caetano Veloso
"Zii e Zie" [Compre]
- Caio Bosco
"Diamante EP" [MP3]
- Caio Marques
"Cidade Vazia EP" [MP3]
- Céu
"Cangote EP" [MP3]
- De Leve
"De Love" [Compre]
- Disco Alto
"Sierra Nevada" [MP3]
- Dois Em Um
"Dois Em Um" [Compre]
- Eddie
"Carnaval No Inferno" [MP3]
- Felipe Schuery
"Data Crônica" [MP3]
- Giancarlo Rufatto
"Machismo EP" [MP3]
- Gui Boratto
"Take My Breath Away" [Compre]
- Inverness
"Forest Fortress" [MP3]
- Júlia Says
"Menos É Mais EP" [MP3]
- L.A.B.
"Less A Bullshit EP" [MP3]
- Lab
"Mmm..." [MP3]
- Luisa Mandou Um Beijo
"Luisa Mandou Um Beijo" [MP3]
- Lula Queiroga
"Tem Juízo Mas Não Usa" [Compre]
- Mariana Aydar
"Peixes Pássaros Pessoas" [Compre]
- Max Sette
"O Que Se Passou" [MP3]
- Móveis Coloniais de Acaju
"C_MPL_TE" [MP3]
- Nancy
"Chora, Matisse" [MP3]
- Nando Reis
"Drês" [Compre]
- Nervoso & Os Calmantes
"Nervoso & Os Calmantes" [Compre]
- Paralamas Do Sucesso
"Brasil A Fora" [Compre]
- Perito Moreno
"Made To Escape" e "Save The Elephants EP" [MP3]
- Poléxia
"A Força do Hábito" [MP3]
- Profiterolis
"Pare e Siga" [MP3]
- Pública
"Como Num Filme Sem Um Fim" [MP3]
- Pullovers
"Tudo Que Eu Sempre Sonhei" [MP3]
- Rafael Castro
"O Estatuto do Tabagista EP" [MP3] e "Raiz EP" [MP3]
- Romulo Fróes
"No Chão Sem O Chão" [Compre]
- Siba e Roberto Corrêa
"Violas de Bronze" [Compre]
- Stela Campos
"Mustang Bar" [Compre]
- Titãs
"Sacos Plásticos" [Compre]
- The Name
"Assonance EP" [MP3]
- Terminal Guadalupe
"O Tempo Vai Me Perdoar EP" [MP3]
- Tiê
"Sweet Jardim" [Compre]
- Vanguart
"Multishow Registro" [Compre]
- Victor Toscano
"Sentido Cidade" [MP3]
- Zeca Vianna
"Seres Invisíveis" [MP3]
- Zélia Duncan
"Pelo Sabor do Gesto" [Compre]
- Wry
"She Science" [Compre]
Previstos para 2009
Cidadão Instigado (julho)
Fagner - "Uma Canção No Rádio" (julho)
Holger (novembro)
Maria Gadú - "Maria Gadú" (julho)
Mombojó - "Amigo do Tempo" (julho/agosto)
Os Mutantes - "Haih" (setembro)
Nevilton (julho)
Superguidis - "Tolos Mudam" (julho/agosto)
Vulgue Tostoi (julho)
Wado - "Atlântico Negro" (julho)
Jumbo Elektro - "Terrorist!?" (???)
Lucas Santtana - "Sem Nostalgia" (???)
Numismata - "Chorume" (???)
Supercordas - "A Mágica Deriva dos Elefantes" (???)
Ana Canãs (???)
Apanhador Só (???)
Burro Morto (???)
Céu (???)
Chico Buarque (???)
Copacabana Club (???)
Do Amor (???)
Garotas Suecas (???)
Guizado (???)
Heitor & Banda Gentileza (???)
Ludov (???)
Mallu Magalhães (???)
Nina Becker (???)
Nuda (???)
Sabonetes (???)
Stella-viva (???)
Terminal Guadalupe (???)
Vanguart (???)
Violins (???)
Falta listar Otto!
ResponderExcluirlacertae no ]final do ano 20 anos
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