
Mas tudo isso está acontecnedo de uma maneira muito particular, por meio da colaboração entre vários artistas. Mais uma "sintonia" do que um "movimento", os Novos Paulistas estão fazendo música juntos, mas conceitualmente separada uns dos outros.
Um desses novos nomes é Bruno Morais, um paranaense de Londrina radicado em São Paulo já há algum tempo. Bruno acaba de lançar pela YB o belíssimo álbum "A Vontade Superstar", um trabalho marcado pela voz sutil e pelo clima cinemático das canções do artista, mas que foi feito a base de muita colaboração, como conta a longa ficha técnica que acompanha o encarte do álbum. Quase um "quem-é-quem" dessa cena.
Recentemente tive a oportunidade de entrevistar Bruno para meu outro blog e um dos pontos que conversamos bastante foi esse aspecto colaborativo do disco e dessa nova galera de Sção Paulo. Veja o que ele disse, com excluvidade:
A colaboração acontece muito num nível bem profissional, mas não num sentido chato da coisa, e sim no sentido de termos que marcar um horário num estúdio e falar “vamos fazer um negócio?”. Tem aqui um hábito de mandar por e-mail, não é um negócio de encontrar na balada. Eu não encontro com o Maurício Fleury num bar e começo a escrever um arranjo em cima da mesa, não é isso. E mesmo durante o dia, não tem um estúdio em que as pessoas ficam passando por ali e gravando coisa, se visitando. Tem que ter muita vontade para fazer a coisa acontecer. E acho que isso faz os trabalhos sejam muito coletivos, eles conversem entre si, mas são muito diferentes um do outro.Cada trabalho tem essa atmosfera, essa coisa das pessoas assinarem o trabalho. A música do Thiago Pethit é do Thiago.Nós até fizemos coisas como o Ensaio Aberto, que era, eu, o Léo Cavalcanti, Tatá Aeroplano [Cérebro Eletrônico/Jumbo Elektro] e o Maurício Fleury no Studio SP, que era uma ideia de fazer uma coisa coletiva ali, sempre tinha um convidado. Mas era só isso, a gente ia lá, ensaiava duas músicas com o convidado, ensaiava as outras e tal. Os arranjos ficaram incríveis e até quando eu for gravar essa canções, que são inéditas, eu vou chamar os caras. Mas é sempre o meu trabalho dentro daquilo, sabe? Esses dias eu fui gravar com o Kiko Dinucci, mas é muito o trabalho do Kiko, ele me dirigindo e eu fazendo o que ele mandava.É todo mundo tocando com todo mundo, mas ao mesmo tempo aquela trabalho tem a assinatura daquela pessoa. Eu me vejo com um trabalho que teve a participação de um monte de gente, mas que é meio único, íntimo até. Fica sempre tudo diferente do outro.Por exemplo, os trabalhos solo da Andreia Dias, da Iara Rennó, da Anelis Assunção são totalmente diferentes, mas elas tocam na mesma banda [DonaZica], que tem um som diferente do delas. Mas todos eles conversam entre si.A gente fez um show chamado “Tudo De Novo” ano passado no Auditório do Ibirapuera, que tinha essa idéia. Até foi uma maluquice da nossa cabeça, que acabou deixando algumas bandas meio putas, porque o jornal queria falar que tinha uma coletividade, e o assunto era justamente esse: a falta de uma coletividade, de uma coisa homogênea. Não é nada homogênea. Ninguém se encontrou durante o show, não teve todo mundo tocando de mãos dadas no final. Era mesmo para falar disso, era quase uma experiência estética. Para as pessoas perceberem mesmo que tinha um movimento interessante acontecendo em São Paulo, que é justamente essa coisa de não ser um movimento, de não ser “todo mundo junto”, mas sim de haver uma sintonia. E isso é o que faz essa geração ser ainda mais rica.Se você ouvir todos os discos dos anos 70, mesmo sendo diferentes, eles tem muita coisa em comum. A sonoridade, os timbres, o lugar para onde vai a melodia, o jeito que a banda toca, é tudo bem parecido. No nosso caso não é assim. O jeito como o Guizado toca na minha banda não é o jeito como ele vai tocar no trabalho dele, ou com o Lúcio Maia. O [Guilherme] Kastrupp é diferente fazendo o show da Adriana Partimpim, da Andréia Dias, ou o meu.





